Desgraça íntima

Fim de ano chega e, com ele, a pressa, os rituais e as pequenas (ou grandes) torturas silenciosas que muitas mulheres conhecem bem. Entre a vaidade, o desejo de estar pronta para as festas e os improvisos nada seguros, surgem histórias que misturam dor, humor e identificação.✨

5/8/20241 min read

Final de ano a chegar. Parece mais final dos tempos. Correria para todos os lados. Filas nos shoppings, crianças gritando, lojas em alvoroço, cachorros puxando seus donos com olhar de pelo amor de Deus, vamos embora! Fuzuê desmensurado. Mulheres se embelezam da cabeça aos pés para uma boa apresentação nas festas.

Estava na depiladora aguardando na antessala. Atendimentos atrasados. De repente, gritos.

– Ai! Dói! – choro. – Ela vai ficar em carne viva. – mais choro. – Não vou poder namorar. Aiiiiii! Logo no Ano Novo que vou viajar.

– Calma – dizia a depiladora, com voz serena.

A mulher, em sacrifício, chorava tal qual criança pequena. Passados intensos minutos, sai a mulher. Trêmula, pálida, arrastando pés e pernas abertas. Transparecia dor, sofrimento, calvário. Mesmo sem saber do ocorrido, tive pena. Chegou a hora da minha tortura. Curiosidade gritava.

– O que houve? – fui logo questionando.

– Ih... Coitada. – disse a depiladora lamentosa. – Ela mesma tentou depilar sua região íntima. Não queria vir aqui.

Ouvia o fato já tendo os pelos corporais arrancados, entre semblante de dor e surpresa.

– Então, ela colocou a cera e não puxou no tempo certo. A cera toda grudou na região íntima.

Arregalei os olhos.

– Na tentativa de amolecer a cera, colocou mais cera por cima da existente. Na hora que foi puxar, não sei que movimento fez, grudou os dois lados da vagina e nada saiu. Nem xixi podia fazer. Um desastre.

Só imaginei a cena. Que caos!

– Ela me ligou em prantos. Atendi na hora do meu almoço. Não tinha horário. Por isso atrasei um pouco a sua consulta.

Fiquei imaginando quanto tempo levaria para se recuperar. Dias, com certeza.

Passaria o Ano Novo com a vagina assada, inchada e judiada.